ESCRITORES DO AMANHÃ

 Hoje, o nosso Blog recebe a contribuição da aluna do 8° Ano, Ariela Carvalho. 

Ela nos presenteia com um texto de sua autoria.

Fique conosco nesta leitura de hoje e não se esqueça de compartilhar com o máximo de pessoas que você conhece!

Escola Estadual América Florentino

Nossa missão é ensinar!!!


O armário 114: A continuação 


 Semanas se passam com uma calma estranha, algo definitivamente estava errado. Eu só não sabia o que era, ainda.

 Um dia durante uma aula entediante de história peguei meu caderno para rabiscar qualquer coisa. Abri ele em uma página aleatória mas... –Não pode ser... –E lá estava ele, um envelope azul exatamente como o do armário. Eu abro o envelope com mãos trêmulas tentando ser discreto para não chamar atenção de outras pessoas. Dentro do envelope havia uma foto de uma garota caindo no pátio, atrás da foto um horário, 09:11. Ainda eram oito horas, isso não fazia sentido...

 Eu coloco a foto de volta no envelope e guardo ele na minha mochila –O que será que aquilo significa?– murmuro quase inaudívelmente para mim mesmo.

 As horas passam lentamente até que finalmente toca o sinal do intervalo. –Graças a Deus.

 Alguns minutos depois enquanto estava no pátio eu vejo uma garota caindo, exatamente como na foto. Logo olho as horas no relógio, 09:11. –Como isso é possível?

 Charle não documentava o passado, ele registrava o futuro...

 A partir daí as coisas só ficaram mais estranhas... Comecei a ver vultos parecidos com Charle pelos corredores, tenho certeza que ouvi alguém chamar meu nome enquanto lia na biblioteca. A questão é que eu estava sozinho ali. 

 Charle nunca saiu, ele virou parte daquilo que existe no armário.

 No outro dia, eu chego mais cedo na escola e vejo o zelador passando com uma sacola de lixo. –Bom dia– diz ele com voz gentil –Bom dia– respondo. Mais tarde durante uma aula vaga vejo a bibliotecária passando com alguns livros infantis. A aula acaba e eu volto para casa.

 No outro dia, eu chego mais cedo de novo. E encontro o zelador com a mesma sacola sacola de lixo, e novamente ele diz "bom dia" com a mesma voz gentil de antes. Os professores explicam o mesmo assunto, de novo uma aula vaga e novamente a bibliotecária passa com os mesmos livros infantis. –Tudo está se repetindo... Eu só posso estar ficando louco!– falo de frente ao espelho. 

 O armário 114 está preso num ciclo e agora você também está.

 No terceiro dia eu decido tomar uma decisão, não posso simplesmente ficar parado enquanto tudo ao meu redor se repete. Eu vou investigar. 

 Eu começo a ficar depois da aula quando todos saem, vasculho documentos antigos até chegou qualquer coisa ligada ao armário 114. No meio de documentos amarelados pelo tempo eu acho a manchete de um jornal de 1987, "Aluno da E.E.E.F. Rosária Amaral das Flores desaparece misteriosamente dentro da escola: Colegas dizem ter visto visto o garoto pela última vez perto do armário 114".

 Você não foi o primeiro e talvez não seja o último. 

 Nesta noite não consigo dormir de jeito nenhum. Chego "morto" na escola. Assim que me sento vejo um envelope azul sobre minha mesa –De novo não...– falo mas já estou abrindo o envelope. Dentro dele tem uma nova lista de nomes em sequência, todos os riscados. Menos o meu. No canto da folha está escrito a mão "agora é sua vez de continuar o trabalho".


TEXTO AUTORAL: Ariella Carvalho de Souza

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