ESCRITORES DO AMANHÃ
Hoje, o nosso Blog recebe a contribuição da aluna do 8° Ano, Ariela Carvalho.
Ela nos presenteia com um texto de sua autoria.
Fique conosco nesta leitura de hoje e não se esqueça de compartilhar com o máximo de pessoas que você conhece!
Escola Estadual América Florentino
Nossa missão é ensinar!!!
O armário 114
O armário 114 sempre teve um cadeado enferrujado e a fama de estar abandonado. Mas hoje de manhã, algo mudou. Por uma fresta na porta de metal, vi a ponta de um envelope azul. Quando puxei, percebi que não era um bilhete comum; era uma lista de nomes da nossa turma, e o meu estava circulado em vermelho. Ao olhar em volta, o corredor parecia mais longo e vazio que o normal.
Meu coração acelerou e minha respiração ficou irregular –O que poderia ser aquilo?– murmurei para mim mesmo. Minha voz mais trêmula do que eu pretendia.
Logo o corredor encheu, os alunos foram liberados. Às pressas, guardei o envelope no bolso e saí.
No outro dia de manhã...
Assim que cheguei à escola fui até o armário 114. Parecia normal. Peguei um livro qualquer e me sentei em um canto isolado. Onde conseguia ver o armário sem ser notado.
Nada de incomum aconteceu. O zelador passou limpando os armários e depois a bibliotecária, segurando uma pilha de livros.
As horas passaram e tudo parecia bem. Até que vi um envelope azul idêntico ao que estava no armário na mesa de um dos meus colegas de classe, o Charle. Ele tinha fama de ser o garoto nerd e estranho da turma. Por um momento meu coração parecia errar a batida.
Então o Charle entrou e foi até sua mesa, onde estava o envelope. Ele parecia inquieto, como alguém que esconde algo.
Eu me aproximei e lhe perguntei:
–Por que você tem um envelope azul?
–Porque acho mais legal. Os convencionais são muito sem graça e entediantes.– Respondeu-me meio desconfiado.
–Ah, tá. Acenei e me retirei.
Mas algo em seu tom não me convenceu. Ele sabia mais do que aparentava.
Alguns dias depois... O sinal tocou e todos saíram, inclusive eu. Quando estava no portão da escola percebi que tinha esquecido uma caneta sobre a mesa, então voltei para buscar.
Enquanto caminhava até a sala vi o Charle perto do armário 114. Me escondi atrás de um pilar e observei. Ele estava com uma chave. Abriu o armário e colou o que parecia ser uma foto dentro do armário. Fechou, olhou ao redor e saiu.
Eu fiquei encarando o armário e me perguntando o que tinha ali dentro. Após alguns minutos de luta interna tomei coragem e me aproximei. Peguei um grampo de cabelo em meu bolso e o usei para abrir o cadeado do armário. Finalmente conseguindo abrir o armário 114.
Dentro dele tinham fotos de momentos aleatórios da turma, não eram ameaças. Mas charle documentando tudo que acontecia na sala. As fotos tinham data e legenda. Tudo estava meticulosamente organizado, aquilo era perturbador. Fechei o armário rápido e saí.
A imagem do interior do armário ficou na minha mente pelo resto do dia.
No outro dia quando cheguei à escola não vi o Charle. Nunca mais vi ele pra falar a verdade. Escutei boatos de que ele havia trocado de escola mas nunca soube o que de fato aconteceu com ele.
Será que ele fugiu pois percebeu que eu sabia do armário? Por que ele documentava tudo o que acontecia na classe? São perguntas sem resposta. Não faço a mínima ideia do porquê ele sumiu.
Até hoje evito passar perto daquele armário, sinto uma sensação estranha ao passar por ele. Como se estivesse sendo observado.
Texto autoral: Ariella Carvalho de Souza
