ESCRITORES DO AMANHÃ

 Hoje, o nosso Blog recebe a contribuição da aluna do 9° Ano, Hellen Gabriely. Ela nos presenteia com um texto de sua autoria.

Fique conosco nesta leitura de hoje e não se esqueça de compartilhar com o máximo de pessoas que você conhece!

Escola Estadual América Florentino

Nossa missão é ensinar!!!



Angeluz

Somos reflexos de um espelho torto,

rostos diferentes, mas o mesmo contorno da alma.

Você nasceu em outro lugar, sob outro céu,

e ainda assim fala a língua que o meu coração entende.


Entre nós, não houve tempo,

houve encontro.

Um acaso que parecia destino,

um laço que não pediu permissão pra existir.

Culturas distintas, mundos opostos,

mas quando você ri, eu reconheço o som:

é o mesmo riso que mora em mim.


Nem toda alma gêmea chega com promessas de amor,

às vezes vem em forma de amizade,

em um “tô aqui” que não precisa ser dito,

em uma piada sem graça que, por algum motivo,

faz o dia parecer mais leve.


Você entende o meu caos,

e eu entendo o seu silêncio.

É simples, é natural,

como se nossas almas já se conhecessem

antes mesmo de a vida começar.


Às vezes você finge ser rocha,

mas eu sei que basta um sopro de tristeza

e é pra mim que você volta.


Você usa o riso como escudo,

fala firme, disfarça o cansaço,

mas eu reconheço quando o peso te alcança,

e mesmo sem palavras, te seguro dali.


Entre todos os rostos que vieram e foram,

é o seu que permanece.

Desde aquele dia, lembra?

Quando você tremia antes do seu primeiro vestibular

e veio me procurar.

Foi ali que eu soube.


Eu te acalmei com gestos pequenos,

mas você me curou sem perceber.

Mesmo quando o medo me calou,

você ouviu o que eu não disse,

me entendeu nas pausas,

e me abraçou sem braços,

com a presença serena

de quem simplesmente fica.


Talvez seja isso que somos:

duas metades de abrigo,

duas constelações que se encontram

sem pedir licença ao tempo.


E se um dia me perguntarem o que nos define,

eu diria que é o jeito

como sua força encontra a minha,

como seu riso acende o meu,

e como, mesmo longe,

a gente sempre se reconhece

na mesma luz.


Angeluz


Poema autoral: Hellen Gabriely Franklin da Silva

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